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Ampliação das sanções contra a Rússia afeta o agro brasileiro

Ampliação das sanções contra a Rússia afeta o agro brasileiro

A ampliação das sanções de países ocidentais liderados por União Europeia e Estados Unidos contra a Rússia preocupa o agronegócio brasileiro.

O movimento tende a manter as cotações do trigo nas alturas no mercado internacional e travar compras de fertilizantes, uma vez que diversos bancos russos estão sendo removidos do Swift, sistema global de pagamentos interbancários. A Rússia é um dos países do mundo que mais exportam trigo e adubos, e o Brasil é grande importador nesses dois segmentos.

Antes do recrudescimento da crise, o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) previa que as exportações russas de trigo alcançariam 35 milhões de toneladas nesta safra 2021/22, 17% do total global e abaixo apenas que o volume projetado para a União Europeia (37,5 milhões de toneladas).

O Brasil, que deverá importar 6,7 milhões de toneladas, principalmente da Argentina, não deverá enfrentar problemas de desabastecimento, mas os moinhos instalados no país já enfrentam pressão de exportadores do vizinho por renegociação de contratos e sinalizam que os preços da farinha e outros derivados vão subir para o consumidor.

Em tempos de inflação já elevada e queda do poder de compra da população, o cenário motiva apreensão. Desse ponto de vista, também a valorização do milho no exterior — a Ucrânia é grande exportadora do cereal — diante da escalada das tensões é outro ponto de atenção, embora exportadores brasileiros possam ser favorecidos.

Para a indústria de aves e suínos, a tendência é de redução ainda maior de margens, que já estão negativas em alguns polos, e aumento da pressão por reajustes das carnes no varejo.

No caso dos fertilizantes, a interrupção do fornecimento russo poderá comprometer o suprimento doméstico e reduzir a aplicação do insumo nas lavouras — além, é claro, de acirrar a disputa por produtos em fontes alternativas de fornecimento como o Canadá, que também tendem a ficar mais caros.

importação de fertilizantes está na base da relação comercial entre Brasil e Rússia. Como já informou o Valor, em 2021 as importações brasileiras de cloreto de potássio russo, por exemplo, alcançaram 3,6 milhões de toneladas, ou mais de US$ 1,3 bilhão. Outros US$ 1,2 bilhão foram gastos na compra de ureia (1,3 milhão de toneladas), nitrato de amônio (1,4 milhão), nitrogênio, fósforo e potássio (967 mil), de acordo com dados do ComexStat, do Ministério da Economia.

Já as exportações do agro brasileiro para a Rússia, que também serão prejudicadas pelas sanções, são menos relevantes, e há opções para o escoamento. No ano passado, os embarques de soja do Brasil para a Rússia lideraram a pauta, com 768,2 mil toneladas, ou US$ 343,2 milhões. Entre as proteínas, o destaque foi a carne de frango, com 105,8 mil toneladas, ou US$ 167,1 milhões.

Fonte: MilkPoint, Valor econômico