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Defensivos: Problema maior está na oferta escassa de glifosato e não será resolvido no curto prazo

Defensivos agrícolas

Defensivos Agrícolas importância de aplicação e custo no mercado – Foto: Belgo Agro

Safrinha de milho 2022 já começará a sentir os impactos da falta de produto. Logística global e crise energética na China são dois dos principais fatores de pressão sobre o atual momento

A preocupação com o fornecimento de insumos para as safras de grãos brasileiras deve ser direcionada, principalmente, para a safrinha de milho 2022, de acordo com o Presidente Executivo da CropLife Brasil, Christian Lohbauer. Ele explica que “nessa safra já há um ou outro problema localizado de atraso na entrega ou de encontrar produtos nas distribuidoras, mas é algo localizado e não deve ter um efeito geral na safra de grãos nesta safra, mas para março do ano que vem, está acesa a luz amarela para uma eventual turbulência para a questão dos herbicidas; para fungicidas”, disse.

Ele explica que há uma série de semelhanças entre o atual cenário de fertilizantes e defensivos quando se considera que existe uma dependência externa do Brasil para o fornecimento de insumos, especialmente para herbicidas, e também quando se fala em logística, no aumento dos fretes – principalmente os marítimos – e escassez de contêineres.

“Especificamente em relação a defensivos, dá para descrever a situação da seguinte maneira: essa safra que nós já estamos vivendo, a safra de verão de soja, não haverá problemas que não sejam localizados, problemas em relação a alguns produtos, com destaque para alguns herbicidas, glucosato, glucosinato, acefato, que têm problemas pontuais de entrega. A safra vai passar e vai passar bem”, explica.

Entretanto, Lohbauer afirma que a grande questão envolve a safra de milho em março do ano que vem -a safrinha -, já que o Brasil depende muito da China para receber os produtos derivados de fósforo amarelo, que são matérias-primas para os herbicidas, entre eles um dos mais utilizados na produção brasileira, o glifosato. E isso tem se dado, principalmente, por conta da mudança na política energética na China, fazendo com que a produção fosse sendo reduzida.

“Sendo assim, a redução da transformação de fósforo amarelo, junto com o problema de logística, gera essa dúvida se teremos produtos a partir de março. Ainda é uma incógnita; até meados de dezembro devemos ter uma ideia se haverá retomada do fornecimento, uma vez que o ciclo de importação vai de 60 a 90 dias, e até lá, se não normalizar, vamos ter em março um problema de fornecimento de herbicidas”, afirmou.

Lohbauer afirma que o setor tem acompanhado a situação junto ao Governo Federal para evitar qualquer oportunismo em relação à possível escassez destes insumos. A previsão é de que os estoques de herbicidas até o fim do ano fiquem muito baixos, senão zerados, e os preços devem subir, e quem não está com estoque em sua propriedade deve sentir mais.

“O que tem que se pensar mais é a safra de milho de março, o produtor tem que se planejar e se até meados de dezembro não houver clareza em relação a essas importações, o produtor vai ter que proteger com produtos pré-emergentes, pós-emergentes e outras alternativas de manejo que não substituem totalmente o herbicida, ams que mitigam os efeitos, mas que deve afetar a produtividade do milho”, pontuou.

Fonte: Notícias Agrícolas