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Soja tem início de fevereiro superando os US$ 15 em Chicago e reportando negócios de R$ 200 no BR

Soja tem início de fevereiro superando os US$ 15 em Chicago e reportando negócios de R$ 200 no BR

A terça-feira (1) foi agitada para o mercado da soja tanto na Bolsa de Chicago, quanto internamente, e os preços da oleaginosa registraram patamares recordes no mercado nacional, porém, com negócios acontecendo ainda em volumes limitados. No mercado futuro norte-americano, as cotações encerraram o dia com altas de 29 a 38,25 pontos nas posições mais negociadas, com o o maio chegando aos US$ 15,33 e o julho a US$ 15,27 por bushel. No Brasil, negócios com soja a R$ 200,00 foram registradas no Rio Grande do Sul, nas regiões de Passo Fundo e Ijuí.

“O mercado puxou forte nesta terça em Chicago e no mercado interno, com prêmios também fortes diante da quebra da América do Sul e tudo isso leva, naturalmente, a estimarmos uma maior demanda pela soja americana em 2022 para compensar essa quebra aqui. Então, são dois fatores importantes”, explica Luiz Fernando Gutierrez, analista de mercado da Safras & Mercado.

Gutierrez acredita que novos cortes nas projeções para a safra sul-americana – em especial a brasileira – deverão ser registrados nas próximas semanas com a as contínuas adversidades climáticas ainda castigando lavouras no Brasil, na Argentina e no Paraguai. “Nosso novo número sai na sexta-feira que vem (11) e teremos que cortar a safra brasileira”, completa.

Os prêmios para a soja brasileira continuam fortes e subindo diante da pouca oferta disponível que se dá da nova safra, já que o volume que vem chegando ao mercado com o avanço dos trabalhos de colheita onde é possível – em especial no Centro-Oeste – rapidamente se esgota, com o atendimento de contratos já firmados anteriormente.

“Haverá uma disputa muito forte de soja esse ano, veremos algo parecido com o que aconteceu em 2020 – um descolamento de preços do mercado interno para o mercado de exportação, este é o cenário e está bem complicado. Inclusive, já cortamos nossa estimativa de exportação, já não vamos mais exportar recorde. Estamos trabalhando com 85 milhões de exportação e, na semana que vem, se cortamos mais a produção, vamos cortar mais a exportação”, afirma o analista.

No Rio Grande do Sul esse descolamento já está acontecendo por conta da entressafra, o que deverá, segundo Gutierrez, com a colheita se iniciando no estado. “E deve voltar a acontecer nos últimos meses do ano. Mas, a briga de mercado interno e exportação se dará ao longo de todo o ano, se intensificando no final de 2022”, diz.

SOJA DE R$ 200 NO BRASIL
A soja de R$ 200,00 por saca no Brasil já é realidade. Os negócios foram registrados nas regiões de Ijuí e Passo Fundo, no Rio Grande do Sul, neste início de semana para a indústria processadora gaúcha. Para Vlamir Brandalizze, consultor da Brandalizze Consulting, esta é, de fato, uma nova realidade que tem se desenhado para o mercado brasileiro e reflete essa disputa prematura entre demandas externa e interna diante de uma quebra tão agressiva como a que se consolida para a safra 2021/22.

O especialista explica que a indústria segue pagando melhor do que os portos – onde as cotações testam até R$ 197,00 para julho, e um pouco abaixo disso nos vencimentos mais curtos – diante das boas margens de esmagamento.

“As indústrias têm exportado mais farelo, mais óleo, e com bom potencial. Os preços do farelo estão em patamares historicamente altos, variando entre R$ 2700,00 e R$ 2800,00 por tonelada no sul e sudeste, nordeste próximo disso, e o óleo também tem se mantido lá em cima”, diz.

Ainda segundo Brandalizze, os negócios se deram com soja gaúcha, embora haja a possibilidade dos estados do sul do Brasil, dadas as quebras de safra em função do clima seco e excessivamente quente, terem sido muito severas. “Ainda não se vê movimentos com soja chegando de outros estados, mas pode acontecer”.

Para alcançar os R$ 200,00 no mercado brasileiro, os futuros da soja negociados na Bolsa de Chicago, como explica o consultor, deveriam ter evoluído até os US$ 16,00, porém, com a oferta muito menor do que o inicialmente projetado, prêmios subindo para a exportação e mais o pouco interesse de venda por parte do produtor brasileiro, a referência foi alcançada e os negócios, efetivados.

“Mas mesmo assim ainda não há uma grande pressão ou uma corrida de venda porque esse preço foi alcançado, como aconteceu em outros momentos, com outros preços. Não há ainda um grande interesse de venda, principalmente pelos produtores do Sul”, relata. Brandalizze afirma ainda que estima a safra do Rio Grande do Sul entre 11 e 12 milhões de toneladas, frente ao potencial inicial de 23 milhões.

E essa diminuição na safra do sul brasileiro será um fator importante e determinante no andamento das cotações e na distribuição da soja disponível.

“O spread entre os portos será um fundamento muito acompanhado pelos traders da soja. A quebra de safra no Paraná e no Rio Grande do Sul reduzirá sobremaneira a oferta de soja para os portos do Sul do País. Além disso, a quebra de safra no Rio Grande do Sul gera um problema para as fábricas”, explica Eduardo Vanin, analista de mercado da Agrinvest Commodities. As processadoras gaúchas terão que buscar soja fora do estado para fevereiro, março e também após meados de julho, agosto. Ontem saiu negócio em Ijuí a R$ 200,00 a saca CIF indústria”, completa.

Fonte: Notícias Agrícolas

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