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Benefícios da Mediação e Seus Impactos no Planejamento Sucessório

Benefícios da Mediação e Seus Impactos no Planejamento Sucessório

Cristiane Santos – advogada e consultora de famílias e empresas familiares no Agronegócio.

Ao longo de diversos planejamentos sucessórios realizados, constatamos que as dificuldades enfrentadas decorrem de situação alheia ao patrimônio e aos negócios, mas sujem de questões mais intimas da família. Tais questões muitas vezes não são faladas ou externadas, mas apenas sentidas pelos membros da família e que geram impactos e barreiras para o sucesso da empresa familiar.

O relacionamento familiar conflituoso hoje é um dos maiores gargalos para o desenvolvimento eficaz do planejamento sucessório, bem como para perpetuação da empresa familiar.
Infelizmente não é pouco comum nos depararmos com famílias com patrimônios elevados e financeiramente equilibradas, contudo, com conflitos familiares que geram barreiras que impossibilitam o diálogo familiar e a boa convivência.

Então nos questionamos: como podemos vencer essas barreiras tão intrínsecas da família? Podemos aprofundar nosso trabalho ao ponto de tocar em feridas familiares que ainda não estão cicatrizadas?

Foi então que decidimos encarar este desafio. Para tanto, utilizamos um instrumento já conhecido no planejamento sucessório, que é o acordo familiar.

É nele que se expressa as vontades e as regras da família empresária, elaborado através de reuniões com todos os membros familiares, sendo formado por diversos temas: histórias e valores da família; regimes de casamento; cargos, funções e responsabilidades dos membros da família; remuneração dos sócios; uso dos bens, instalações, equipamentos e funcionários da empresa; ingresso de novos membros; distribuição de resultados; decisão de investimentos; férias, aposentadorias e afastamento; entre outros assuntos que os membros da família e negócio acharem necessários.

Ora, mas como vamos estabelecer o acordo familiar o qual irá estipular regras e reduzir riscos de conflitos num ambiente familiar sem que haja diálogo e um comunicação amigável entre os membros da família?

Foi então que utilizamos a ferramenta da mediação para solucionar os conflitos familiares.

Partindo do pressuposto de que a mediação segue alguns princípios basilares, especialmente a busca do consenso, a confidencialidade, a imparcialidade e isonomia entre as partes, adotamos a postura de mediadores dos conflitos praticando a mediação em 3 fases distintas: pré-mediação (oitiva dos membros da família para a exposição do problema); compreensão do caso (onde encontramos a essência do problema) e resolução (solução do problema).

Como fizemos isso? Como uma equipe multidisciplinar, separamos as pessoas dos problemas de forma imparcial, focamos nos interesses da família e não em posições ou interesses individuais dos membros, geramos propostas de soluções criativas para o problema e então encontramos junto com a família os parâmetros justos e adequados para a solução final do conflito. Os resultados foram incríveis!

Ao segregar os problemas das pessoas é possível identificá-lo na sua essência, de modo a diagnosticar sua origem, suas atenuantes e agravantes, bem como compreender o impacto gerado pelo problema em cada ente familiar. Dominando então o conflito, o mediador afasta as situações que podem agravá-lo ou dificultar a realização do acordo familiar, direcionando então a atenção da família tão somente na solução.

A mediação na solução dos conflitos familiares não apenas possibilitou o diálogo familiar mais harmonioso, como também contribuiu para um olhar preventivo nas etapas seguintes do planejamento sucessório.