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Alimentos transgênicos fazem mal à saúde?

Milho Transgênico

Os alimentos transgênicos são produzidos no Brasil e no mundo há mais de 20 anos

Eles já trouxeram muitos benefícios para a agricultura e para os indivíduos, inclusive auxiliando no combate à fome. Mas, nem sempre as informações sobre esse tipo de alimento são divulgadas de forma clara para a população.

Ao contrário do que muitos acreditam, os transgênicos não fazem mal à saúde humana, animal ou ao meio ambiente. Continue acompanhando para entender um pouco mais sobre essa tecnologia.

O que são alimentos transgênicos?

Transgênico é sinônimo para a expressão “Organismo Geneticamente Modificado” (OGM), ou seja, todo organismo que teve mudanças no seu DNA, feitas em laboratório. Isso significa que os alimentos transgênicos são produtos que receberam um gene de outro organismo, fazendo com que ele apresente uma característica que não tinha antes.

Para criar um transgênico, os pesquisadores selecionam um gene que contém as características de interesse de uma espécie e o transferem para outra, para alterar ou potencializar uma particularidade. Ao receber um ou mais genes de outro organismo, um vegetal pode se tornar resistente a pragas ou mais nutritivo, por exemplo

Diferença entre transgenia e melhoramento genético

Alimentos transgênicos

Diferença entre transgenia e melhoramento genético – Foto: Registro de Marca em BH

O homem seleciona plantas com as características que deseja e realiza o cruzamento entre elas há séculos a fim de que essas características sejam passadas para as plantas descendentes. Essa técnica é conhecida como ‘melhoramento genético clássico ou convencional’ e pode ser realizada de forma “caseira”.

Já a transgenia, é a evolução do melhoramento genético convencional e só é possível de ser realizada em laboratório, com equipamentos adequados. Essa tecnologia permite um nível de precisão que não seria possível na natureza, acelerando as mudanças desejadas em um organismo.

Vantagens dos alimentos transgênicos

Os transgênicos buscam soluções sustentáveis para os desafios agrícolas e alimentares como, por exemplo, resistência à doenças e pragas e tolerância a estresses climáticos, como a baixa disponibilidade de umidade no solo. Algumas vantagens da aplicação dessa tecnologia na agricultura são:

Alimentos ricos em nutrientes

Algumas técnicas de modificações genéticas podem ser utilizadas para aumentar a quantidade de nutrientes nos alimentos. O exemplo mais comum é o arroz dourado, um grão modificado que é rico em betacaroteno, para ajudar o organismo que tem deficiência da vitamina A.

Preservação do meio ambiente

Com modificações que permitem a redução do uso de agrotóxicos, alguns transgênicos permitem que o agricultor utilize menos água para diluir os produtos – é o caso daqueles que são resistentes a insetos. Isso também contribui para a redução do uso de equipamentos para a pulverização dos defensivos e, consequentemente, diminui o uso de combustível, reduzindo significativamente a emissão de gases do efeito estufa, como o gás carbônico.

No estudo realizado pelo CIB (Conselho de Informações sobre Biotecnologia), durante os 20 primeiros anos de uso de transgênicos no Brasil, registrou-se uma economia de 377 milhões de litros de combustível decorrentes da adoção da tecnologia, o que equivale à retirada de circulação de 252 mil carros das ruas por um ano.

Aumento da produtividade

Milho transgênico

Os alimentos transgênicos são produzidos no Brasil e no mundo há mais de 20 anos – Foto: BRSEEDS

A combinação dos fatores citados acima proporcionam, ainda, vantagens em termos de produtividade, já que os transgênicos reduzem as perdas nas lavouras. Isso faz com que uma maior quantidade de alimentos estejam disponíveis, sem a necessidade de aumentar a área plantada.

Podem ajudar a combater a fome

Segundo documento da Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO), o mundo terá 2 bilhões de pessoas a mais para alimentar até 2030 e a biotecnologia (e os alimentos transgênicos), pode ajudar a enfrentar esse desafio.

Alimentos transgênicos são seguros?

Uma das questões que mais preocupa o consumidor brasileiro é a segurança dos produtos transgênicos. É importante ressaltar que, há mais de 20 anos de uso desses alimentos no mundo, pessoas de cerca de 50 países vêm consumindo alimentos transgênicos em larga escala, sem nenhum registro de impacto negativo no meio ambiente ou na saúde dos humanos e dos animais.

Mais de duas mil pesquisas sobre o tema já foram realizadas por grupos de estudos, órgãos científicos e agências reguladoras. Cerca de 130 delas foram feitas somente na União Europeia nos últimos 25 anos, todas seguindo padrões rigorosos definidos pela Organização Mundial da Saúde (OMS) e pela FAO. Nenhuma delas encontrou evidências de que os alimentos transgênicos possam causar câncer ou outras doenças em seres humanos ou animais.

A conclusão, portanto, é de que os alimentos transgênicos são tão seguros para consumo quanto os que utilizam tecnologias convencionais para realizar o cruzamento de plantas.

Como funciona a aprovação de transgênicos no Brasil

Antes de chegar ao consumidor, todo transgênico é analisado por meio de rígidos testes laboratoriais e de campo. É importante frisar que o Brasil conta com uma das legislações de biossegurança mais rigorosas do mundo. Essa legislação determina que, antes do produto transgênico ser aprovado para uso comercial, podendo ir ao mercado, ele passa obrigatoriamente por diversos testes, que buscam garantir a segurança alimentar e ambiental do produto final.

Essa análise é feita pela Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio), órgão vinculado ao Ministério da Ciência e Tecnologia e composto, em sua maioria, por pesquisadores renomados da ciência brasileira. O grupo avalia cada produto geneticamente modificado, considerando possíveis impactos ao meio ambiente, à saúde humana e animal e à agricultura. Ao final de todas as análises, a CTNBio libera, ou não, o produto para a comercialização.

Quais são os alimentos transgênicos aprovados no Brasil?

Milho, soja e cana de açúcar

Alimentos transgênicos aprovados e cultivados atualmente são a soja, o milho, cana-de-açúcar, e a cultura do algodão

Vale lembrar que poucas são as culturas que tem uma versão geneticamente modificada e autorizada para uso comercial.

No Brasil, os principais alimentos transgênicos aprovados e cultivados atualmente são a soja, o milho, o algodão e a cana-de-açúcar. Os dois primeiros representam 81% de toda a área cultivada com variedades transgênicas no país. A CTNBio também autorizou o cultivo de feijão e eucalipto transgênicos em solo brasileiro.

Todos os alimentos transgênicos liberados para uso comercial no país podem ser consultados no site da CTNBio.

Como identificar um alimento transgênico

Os alimentos transgênicos possuem a mesma composição que os alimentos convencionais. Eles são digeridos da mesma maneira que um não transgênico e não sofrem nenhuma alteração do ponto de vista da aparência e nem quanto aos nutrientes ou sabor. Exceto, é claro, os produtos que foram enriquecidos nutricionalmente de forma intencional, como é o caso do arroz dourado que citamos no início do texto. Mas um milho modificado para ser resistente a insetos, por exemplo, possui as mesmas proteínas, fibras e vitaminas que o milho convencional.

A única forma de constatar que você está consumindo um alimento transgênico é pela identificação na embalagem. De acordo com a legislação brasileira, todo produto que contenha qualquer porcentagem de um ingrediente geneticamente modificado deve ter, no rótulo, o símbolo de transgênico, que consiste na representação de um triângulo amarelo, com a letra T dentro.

Transgênicos e agrotóxicos: boas práticas agrícolas

Indivíduos e organizações que são contra a produção de alimentos transgênicos afirmam que eles incentivam o aumento do uso de agrotóxicos na lavoura, já que as plantas transgênicas são mais resistentes.

Na verdade, um milho transgênico, por exemplo, pode carregar um gene que o torne resistente a algum inseto, como uma lagarta. Isso significa que o produtor não vai precisar aplicar um inseticida nesse milho por conta dessa lagarta, mas pode ser que ele precise aplicar outro tipo de produto, como um herbicida para combater as plantas daninhas da lavoura, algo que ele já teria que fazer se o alimento não fosse transgênico.

Além disso, não é financeiramente interessante para o agricultor utilizar mais agrotóxico do que o necessário, já que esse produto representa um custo adicional para a manutenção da lavoura. Portanto, o recomendado é que o produtor siga sempre as boas práticas agrícolas na plantação, independentemente de cultivar alimentos transgênicos ou convencionais.

Fonte: Syngenta

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